Construção de uma torre em Seattle 2016

A nova bolha americana está perto de estourar

Acredite se quiser, mas, a nova bolha americana está muito próximo de estourar, só que com duas diferenças dessa vez. A primeira é que ela será muito maior e a segunda é que da outra vez quem estava sem grana eram as empresas, agora são as empresas e os governos.

Para entender de forma resumida como essa nova bolha se formou temos que voltar a 2008. Com a crise que aconteceu naquele ano, parecia que o mundo ia colapsar por falta de dinheiro, com isso o governo do USA tomou, ao nosso ver, a sábia decisão de injetar dinheiro no mercado. Esse dinheiro não era de uma poupança para emergência, até porque eles não tem isso, foi simplesmente ligar para a casa da moeda e mandar imprimir notas, o famoso “tocar guitarra”. Não é bem assim que funciona com impressão de notas, mas, a guisa de simplicidade vamos deixar dessa maneira. Tecnicamente isso recebeu o belo nome de Quantitative Easing ou simplesmente QE para os íntimos.

O detalhe é que, como todos sabem, a diferença entre o remédio e o veneno é a dose. A dose foi grande demais! Estima-se que foi impresso 4,5 trilhões de dólares até que as guitarras foram desligadas. Esse valor equivale a pouco menos de toda a riqueza do Brasil multiplicada por 3.

Mas isso não geraria uma inflação absurda? Sim e não.

Isso gerou uma inflação absurda onde os felizardos que meteram a mão nesse dinheiro puderam gastar: imóveis, carros de colecionador, objetos de arte, ações de startups malucas, e por ai vai.

A inflação de produtos não aconteceu porque esse dinheiro também foi canalizado para a produtividade, ou seja, o mercado continuou inundado de produtos básicos, o que não deixou o preço disparar, e o salário do trabalhador médio continuo no mesmo nível, o que limitou seu poder de compra.

O fato de os ricos americanos terem ficado mais ricos e os pobres terem ficado na mesma gerou essa insatisfação que fez o governo democrata cair do trono em 2016. O USA queria mudança qualquer que fosse.

A bolha americana no limite

Se você um dia olhar um elefante andando no telhado de uma casa, você sabe que cedo ou tarde ele vai cair, e quando cair o estrago vai ser grande. O gráfico abaixo mostra que o elefante, ou o gato se você preferir, já subiu no telhado.

 

 

grafico dos precos medios dos imoveis no usa e a bolha americana pronta para explodir

O gráfico foi zerado em 100 no ano de 2007, representando o pico da bolha americana anterior

 

No ano de 2007, que foi o pico dos preços dos imóveis nos Estados Unidos, os valores das propriedades foram considerados astronômicos e fora do bom senso. Nos dias de hoje os preços estão quase todos muito acima do valor que foi considerado absurdo na época. No caso de depósitos, “storage”, o valor subiu inacreditáveis 80% acima do record! É de cair o queixo…

E se você prestar atenção no gráfico, você vai ver que alguns setores, como os próprios depósitos, ou shopping centers – “mall”, os preços já começaram o mergulho da morte. Mergulho que nós aqui no Brasil já estamos bem cientes de como funciona, visto o nosso mercado imobiliário que está em frangalhos. O detalhe é que somos um figurante na novela econômica mundial. Imagina o que vai acontecer quando o artista principal se esborrachar.

Construção de uma torre em SeattleO agravante do banco central americano

Certas coisas não adiantam mais mexer… Depois que o elefante subiu no telhado, tentar tirar ele de lá, provavelmente, vai fazer com que ele caia mais rápido. Certo ou errado é exatamente isso que está acontecendo no USA, pois, o FED (Banco Central) resolveu espantar o mamífero da laje sem que ele caia. O plano e subtrair em doses homeopáticas toda essa dinheirama que está em circulação.

Nada melhor do que um banqueiro para falar sobre essa tentativa de salvar a casa… Com você Jamie Dimon CEO do JPMorgan:

“When that happens of size or substance, it could be a little more disruptive than people think, it never happened before.” “We act like we know exactly how it’s going to happen, and we don’t.” “We don’t know how that is going to play out.”

Não sabemos como isso vai se desenrolar ~ Jamie Dimon - CEO JPMorgan

 

Mas as construções continuam

Alheios a tudo isso o mundo do business continua com o pé em baixo e o pau está cantando nas construções de novos imóveis. Somente em Seattle, neste ano de 2017, mais de 11mil unidades, em prédios de 50 ou mais apartamentos, serão entregues e no ano que vem serão mais de 14mil. Um record atrás do outro. Em Seattle, ao total, existem 67.507 unidades sendo construídas. Se você entende de oferta e procura você já sabe… Preço caindo e um mar de imóveis sendo disponibilizados… Isso te lembra algo parecido com um alfinete perto de um balão de festa?

Veja imagem abaixo,  de Seattle in Progress, para ter ideia mais clara da situação.

Mapa de construcoes na cidade de Seattle formando uma nova bolha

Mapa de construcoes na cidade de Seattle formando uma nova bolha

 

E para nós no Brasil?

Em 2008 nós tivemos a nossa marolinha e ela significou uma retração de 0,2% do PIB. O detalhe é que nós estávamos relativamente bem, havia uma certa estabilidade política e as contas do governo estavam mais ou menos em ordem. O PIB de 2008 foi de saudáveis 5,1%, ou seja, estávamos embalados e a marolinha nos deu uma senhora surra e nos jogou no CTI por um ano.

Como o corpo estava forte saímos do CTI e voltamos a correr como se nada tivesse acontecido. Danamos de gastar dinheiro,  não fizemos nenhum tipo de reforma e nos achávamos a bola da vez. Nosso presidente era aclamado no mundo como um gênio das finanças. A conta chegou e nós, por nossa própria incompetência, dessa vez já estaremos no CTI quando a nova bolha americana chegar.

Agora pense… Se aquela marolinha nos devastou quando estávamos bem, o que vai acontecer agora que o tsunami vai nos pegar na marca do pênalti?

A saída para nós seria fazer o mercado mais dinâmico e tirar o peso do estado sobre as empresas com o fim da CLT para citar exemplo. Ao contrário disso, nosso ministro da fazenda, viu que como o paciente não estava mais produzindo muito sangue, já que a arrecadação de impostos foi insuficiente, resolveu tirar na marra mais sangue do moribundo via aumento de impostos da gasolina. É a velha máxima dos dirigentes da Tupinicópolis: combater a recessão gerando mais recessão.

Tomara que você já tenha uma boa mãe de santo, pois, vamos precisar.

Alezzia
[email protected]

Indústria de móveis de aço inox com sede no Rio de Janeiro

2 Comentários
  • felipe
    Postado em 01:49h, 24 julho

    Alezzia.. eu não sei se Seattle ´e um bom exemplo pq Seattle é a sede da Amazon… Eu não duvido que um décimo de todos esses imóveis novos de Seattle sejam deles….

    Outra coisa: eu não sou especialista mas eu sempre ouço que a tal da razão P/L (P/E ratio) não está alta demais – o que sugere que as ações da bolsa NÃO estão supervalorizadas, o que torna improvável a chance de uma bolha nos ativos.

    Mas há outras métricas… gostaria de ouvir mais opiniões sobre essas coisas.

  • Palmetal
    Postado em 13:39h, 24 julho

    Veja o P/E da Amazon : 210 anos
    Nos parece meio exagerado não e? Vamos precisar de 3 encarnações para rever o dinheiro

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