violino stradivarius em uma vitrine

12 sinais de como identificar um profissional medíocre

Definição de medíocre segundo o Michaelis : “1 Médio ou mediano. 2 Meão. 3 Que está entre bom e mau.4 Que está entre pequeno e grande. 5 Ordinário, sofrível, vulgar. sm 1 Aquele que tem pouco talento, pouco espírito, pouco merecimento. 2 Aquilo que tem pouco valor.”

A origem vem de médio ou mediano, mas, com o tempo a palavra recebeu uma conotação de pouco valor. Em uma empresa é preciso um pouco de cada tipo de pessoa, como diz o ditado : “Para alguém brilhar no palco é preciso que um outro segure o holofote”. Então é provável que uma empresa, se é que ela existe, onde só existam grandes talentos seja extremamente caótica.

A questão toda é você ter certeza do que você está colocando no time. O profissional X parece ser um grande talento, mas, será que realmente é alguém tão impar? Por outro lado, se você tem uma vaga básica e precisa de alguém compatível, será um erro colocar uma estrela nessa posição.

Antes de falarmos dos 12 sinais é importante frisar que todos nós temos áreas em que somos excepcionais e áreas em que somos medíocres, a questão é o quanto temos de um e o quanto temos de outro. Escrito isso tudo, vamos as regras baseadas em nossos anos de tentativa e erro:

 

1) Estar diante de uma grandeza e não dar se conta

A regra acima foi criada por G. K. Chersterton é certamente a mais importante de todas. E nela todos nós estamos enquadrados, pois, na maioria das vezes estamos sempre ignorando as grandezas do universo, como por exemplo o grau de dificuldade de se criar do zero uma bela música, ou simplesmente manter um estoque de milhares de peças bem organizado. Normalmente as pessoas se dão conta do nível de complexidade e de inteligencia necessária para fazer algo simples, quando elas próprias tentam fazer aquela tarefa. O desafio é quando o profissional deixa passar batido todos os grandes feitos da própria empresa em que ele trabalha, ou almeja trabalhar, e foca em coisas banais como o salário, os benefícios, se o patrão dá broncas ou é tranquilo, e por ai vai. O fato de a empresa ter produtos sensacionais, ou um atendimento aos clientes completamente diferenciado é apenas um detalhe perto do plano de saúde bacana que é oferecido.

 

2) Não buscar a excelência

Uma outra característica frequentemente encontrada entre os medianos é a capacidade de permanecer na zona de conforto. As pessoas excepcionais estão de uma forma ou de outra sempre buscando a turbulência. O ideal segundo Jim Collins é buscar a turbulência de forma controlada. Como dizia John Brown CEO da Stryker : “Estamos sempre um modismo atrás”. As vezes é melhor estar na extrema ponta da inovação, as vezes é melhor estar um modismo atrás, as vezes é melhor ser o último, mas, com certeza, esquecer a evolução é um sinal grave de mediocridade.

Astrologicamente, você pode ter um vislumbre se a pessoa vai naturalmente buscar a excelência. Use as regras abaixo com moderação, pois, cada um tem o seu livre arbítreo.

  1. Ter o sol, lua, ascendente, marte nos signos de: áries, leão ou capricórnio
  2. Saturno, marte ou plutão nas casas 6 ou 10
  3. Ter uma concentração de planetas na casa 1, 5 ou 9 (as pessoas nesse caso buscaram a excelência para satisfação do próprio ego, mas, buscarão)
  4. Ter uma conjunção de vários planetas junto com saturno e/o ou plutão
  5. Ter muitas quadraturas no mapa
  6. Ter um T-Square no mapa: esse é quase infalível que de uma forma ou de outra a pessoa vai sempre buscar algum tipo de melhoria. Se a pessoa tiver bom carater vai ser colaborando corretamente, caso contrário será passando sobre os outros, mas, de qualquer modo, parada ela nunca fica.
  7. Sol, Lua e principalmente Mercúrio em aquário : essa pessoa tem um pensamento do contra e por ser muito crítica, muitas vezes dá boas idéias.
  8. Urano angular : casa 1, 4, 7, 10

 

3) Pensar muito no próprio umbigo

Você ser uma alma evoluída é totalmente independente de sucesso, status, dinheiro, educação formal, beleza ou qualquer outro ponto que a sociedade em geral busca. A história nos mostra que frequentemente, as pessoas que deixaram grandes legados na terra, em sua maioria, possuem o sentido de servir a um propósito seja ele qual for. É muito frequente encontrar nos profissionais diferenciados respostas como: salvar as tartarugas, acabar com o desmatamento, ajudar os velhinhos, criar jóias que façam as pessoas mais felizes, ou coisas semelhantes, quando eles são perguntados qual o propósito da sua vida. As almas mais primitivas normalmente respondem frases relacionadas ao próprio umbigo, ou adjacências, como por exemplo: amar e ser amada, criar meus filhos, casar e ser feliz, viver a vida viajando, apenas ser feliz, etc.

 

4) Não saber lidar com feedback

Esse é um dos erros mais comuns na nossa cultura latina que em geral é intolerável a feedbacks. Para um alemão você falar Sim, significa Sim, falar não significa Não. Para um latino Sim pode significar talvez ou mesmo Não dependendo da forma que é falada. Logo, quando um profissional comum lida com uma crítica ou feedback desapontador a tendência é colocar a culpa em todos, e até na “forma” como o mensageiro passou a informação, menos nele próprio. Frequentemente nós brasileiros temos a tendência a ignorar totalmente um excelente conselho simplesmente porque ele foi falado grosseiramente. Um professor meu de segundo grau chamado Jorge um dia disse em aula uma verdade suprema : “Ninguém tem a obrigação de ser agradável e nós temos que saber lidar com isso”. Vamos complementar a frase dele… A regra do Jorge é válida se você quiser subir na pirâmide evolucional. Se quiser ficar na base cada um pode ser do jeito que bem entender e ignorar todos os retornos.

O profissional medíocre tende a superestimar os retornos positivos e a sistematicamente anular tudo o que esteja desenquadrado das sua expectativas. Segundo consta, esse foi um dos principais motivos para a ruína de Eike Batista, que invariavelmente escanteava todos os que trouxessem qualquer notícia que fosse diferente de boa ou ótima.

Para nossa surpresa é muito comum os candidatos, engenheiros formados, ficarem revoltados e passarem a diminuir a nossa empresa quando falamos que para nós um engenheiro deve saber o mínimo de cálculo integral e análise combinatória. Muitos desses engenheiros respondem dizendo que estudaram isso há muito tempo e não precisam saber disso para serem engenheiros. Nós pensamos ao contrário. Achamos inconcebível como o país forma engenheiros quase analfabetos matemáticos, mas, para esse tipo de pessoa o nosso feedback é absurdo e a questão não se trata deles não saberem algo que em teoria deviam saber, e sim, de nós fazermos exigências sem nexo. Ao invés de estudarem a maioria vai procurar uma empresa que aceite engenheiros que não sabem fazer cálculo.

Outro feedbak que as pessoas da média são incapazes de lidar é com o feedback dos fatos. As pessoas excepcionais estão sempre dispostas a mudar de ideia quando percebem que os fatos estão apontando em uma direção diferente da que era inicialmente esperada. Vamos dar um exemplo de um produto que tinha um plano de vendas de 100 unidades ao ano e ao final do prazo vendeu apenas 15 unidades. Essas 15 unidades são um fato e o bom profissional vai buscar as causas com perguntas do tipo: Eu fiz o marketing errado? O preço está bom? O produto tem boa qualidade? O que os clientes tem a dizer?

No caso acima a reação de um profissional comum é colocar a culpa no mercado, nos clientes, nos colegas ou simplesmente não fazer nada e deixar tudo como está.

5) Desistir diante dos obstáculos

Aqui na nossa empresa recebemos quase que diariamente pedidos de pessoas querendo nos representar. A maioria são muito amadores e descartamos logo de cara. Entenda-se por amadores pessoas que escrevem textos do tipo: “Sou fulano e tenho X anos de experiência em representação comercial. Quero atuar sua marca na região Y. Segue em anexo o contrato social da minha empresa, meu cartão de CNPJ e meu CV.” Há pouco tempo, um desses candidatos foi um pouco diferenciado e nos ligou. A diferenciação foi somente no telefonema, pois, o email que ele havia enviado tinha sido a mesma porcaria que todos os outros antes dele mandaram sem tirar nem por absolutamente nada. Nesse dia eu estava chateado e quis desabafar um pouco a minha chateação em alguém e ao mesmo tempo testar para ver se o tal candidato aguentava pressão, vai que um milagre acontecia…

Comecei dando um esporro nele… “Você quer nos representar e você me manda um contrato social? Para que eu quero um contrato social? Eu por acaso pago as contas com contratos sociais? Nós temos seis milhões de empresas no Brasil, todas elas tem contrato social, isso não está me falando nada.” Para minha surpresa até que o tal candidato reagiu razoavelmente bem e começou a balbuciar alguma coisa sobre os potenciais clientes. Comecei a ter uma certa animação com ele. Depois de um minuto de papo ele perguntou meu cargo na empresa, quando soube que eu tinha um cargo de gestão ele falou: “Então tá, obrigado, um abraço.” e desligou para nunca mais ligar. Isso me lembra a frase de Thomas Edison:

Muitos dos fracassos desta vida estão concentrados nas pessoas que desistiram por não saberem que estavam muito perto do sucesso | Thomas Edison

Na Palmetal nós preferimos morrer pobre do que fazer parcerias com pessoas que desistam diante do primeiro obstáculo. Graças a esse diálogo anterior, estamos investindo nosso tempo nessas mal traçadas linhas.

Obs.: Se você pretende vender algum produto ou serviço à alguém, e se você não se chamar Gisele Bundchen, evite o amadorismo de sair falando de você. Primeiro mostre ao parceiro o que ele pode lucrar se unindo a sua pessoa, depois disso, e somente se ele estiver convencido do seu valor, fale de você. A verdade é que as pessoas querem que eu e você nos explodamos. Como um dia disse meu amigo Leonardo Torres: “Aqui no Brasil a regra é: Primeiro eu, segundo eu, terceiro eu, quarto eu, e quinto, se der… eu também.”

 

6) Ter sonhos muito pequenos

Existem pessoas que pensam no próprio umbigo apenas, mas, ainda sim, de uma forma ou de outra, acabam fazendo coisas muito boas pela sociedade, mesmo que de forma inconsciente. Tipo um médico que sonhava em ter uma lancha, um casarão, uma mulher muito gata e um Jaguar na garagem. Todos eram ligados ao mundinho dele, mas, para isso ele foi obrigado a curar muitas pessoas. Ele viu que quanto mais ele curava, mais ele ganhava dinheiro e por isso conseguia ter uma lancha melhor, uma mulher melhor, uma casa melhor e por ai vai… Era uma pessoa com sonhos relativamente grandes, mas, todos ligados a si próprio.

Por outro lado havia um hippie socialista que ouvia Bob Marley, arranhava o violão, tomava banho uma vez por semana e vestia uma camisa do Che Guevara. O tal hippie fazia um trabalho de caridade super nobre e ajudava três velhinhos no asilo perto da mesma esquina onde ele dublava No Woman no Cry. Sensacional! Ponto para o esquerdista. Enquanto o médico top de linha pensava somente no próprio status, o fã do Che ajudava de coração ao próximo. O detalhe é que nosso hippie poderia colaborar com mais de três velhinhos, mas, o sonho ele era somente ajudar aos três velhinhos, pois, pensava ele, não sem uma boa dose de verdade: “Ninguém faz nada, eu já ajudo três pessoas, então está ótimo. Minha alma está salva do purgatório!”

É verdade, mas, há controvérsias, pois, apesar de o primeiro ser muito centrado nele próprio, ele tinha a capacidade de levar a cura para uma quantidade industrial de pessoas, enquanto o segundo ficava limitado ao seu sonho pequeno. Como disse Edward Abbey :

Crescer por crescer é a ideologia da célula cancerosa | Edward Abbey

O crescimento é o resultado de se fazer a coisa certa, por outro lado, a aversão ao crescimento honesto porque vai dar trabalho, porque vai dar aborrecimento, ou por qualquer outra desculpa é a ideologia do pensamento medíocre. Fuja disso:

O homem é do tamanho do seu sonho | Fernando Pessoa

 

Se Chico Xavier tivesse se limitado a ajudar meia dúzia de necessitados no interior de Minas, ele nunca teria se tornado a lenda que ele virou. Foi a sua ambição positiva que tornou a sua vida um grande sonho real.

7) Não seguir a própria intuição

A data era 5 de maio de 1942. Um submarino alemão chamado U505 navegava pela superfície do atlântico em plena segunda guerra mundial, era o período chamado de Second Happy Days, onde a força de submarinos alemã conseguiu sucessivas vitórias contra a frota mercante americana. Nessa época os submarinos eram basicamente um navio que de vez em quando submergia. Nada próximo aos atuais submarinos nucleares que são capazes de ficar meses sem precisar subir a superfície.

O tempo estava tranquilo e não havia nenhuma alma no horizonte e nem no radar que ainda estava em sua infância. De uma hora para outra, e de maneira inexplicável, o comandante da embarcação, o Kapitänleutnant Axel-Olaf Lowe grita a ordem de inundar parcialmente os tanques. Essa ordem tem duas consequências, uma boa e outra ruim, o que é bom e o que ruim depende do ponto de vista. A boa é que o submarino dessa forma pode submergir de forma bem mais rápida. uma vez que ele afunda quando os tanques estão totalmente cheios. A segunda consequência, e por isso quase nunca essa precaução é tomada, é que a embarcação navega mais devagar e gasta mais combustível por estar carregando muito peso extra.

A equipe do navio não entendeu, mas, obedeceu a ordem, afinal, era a rígida marinha alemã nazista, e lá ordens eram realmente ordens. Exatos quatro minutos depois de os tanques estarem parcialmente cheios surgiu do nada um bombardeiro bimotor baseado em terra mergulhou em direção ao submarino de Hitler e meteu nove bombas nele. Segundo Hans Goebler tripulante do submarino e autor do livro de memórias da segunda guerra mundial chamado Steel Boat, Iron Hearts, a tripulação saiu viva única e exclusivamente pela intuição do seu comandante. Detalhe importante, o livro é de guerra, não é nenhum romance espírita ou qualquer coisa do gênero.

Além dos livros de guerra a intuição é citada fervorosamente por pessoas surpreendentes e acima de qualquer suspeita como Albert Einstein e Steve Jobs. A Einstein é atribuída a seguinte frase:

A única coisa realmente valorosa é a intuição | Albert Einstein

Jobs era notoriamente um seguidor dos sentimentos e da intuição, e certamente graças a esses, conseguiu criar a maior empresa do planeta.

Tenha a coragem de seguir seu coração e sua intuição. Eles de alguma forma sabem o que você verdadeiramente precisa se tornar. Todo o resto é secundário | Steve Jobs

Em uma sociedade altamente informatizada e materialista é estranho acreditar que alto tão etéreo e sem um consenso científico governa as nossas vidas. Na nossa experiência vimos que pessoas mais evoluídas conseguem serenamente ouvir essa voz interior e tomar as suas decisões baseados nela. Esse é um dos passos mais complicados de se aprender. Eu mesmo admito que por quase toda a minha vida lutei contra a minha intuição. Principalmente quando ela se chocava com uma força poderosíssima dentro da minha pessoa, o orgulho. Se eu pudesse voltar atrás e falar comigo mesmo certamente a mensagem seria : “Mais intuição e menos orgulho.”

Pessoas que falam constantemente frases do tipo : “Eu achava que devia fazer, mas, não fiz.” ou “Tive vontade mas fiquei sem graça de perguntar.” ou ainda “Quero fazer isso, mas, o que os outros vão pensar de mim?”, são pessoas que ainda precisam subir muitos degraus na evolução pessoal.

Passo uma dica simples, mas, que levei décadas para aprender. Quando seu anjo da guarda quer que você faça alguma coisa, ele faz seu coração disparar e você sente um aperto no peito. Quando ele quer que você fique parado você sente o coração tranquilo, mas, um frio ou embrulho no estômago. Preste atenção nisso e siga seu próprio corpo, que como disse Steve Jobs, ele sabe o que é bom para você.

 

8) Abrir mão dos próprios valores

Na astrologia existem três tipos de signos: os cardeais (líderes), áries, libra e capricórnio; os mutáveis (seguidores) gêmeos, sagitário e peixes; e os fixos (teimosos) touro, escorpião e aquário. Qual o melhor? Todos eles. Cada um precisa, de acordo com a sua missão na terra, ter uma dose de cada.

Para exemplificar melhor… Os primeiros são aqueles que falam assim : “Vou a festa, quem quer ir comigo?”. Os segundos falam : “Se todo mundo for a festa eu vou”. E os últimos falam : “Eu não vou à festa mesmo que todo mundo vá”. Essa tema de aceitação social é mais frequentemente encontrado em pessoas com uma predominância de signos mutáveis, mas, isso de forma alguma quer dizer que todo geminiano é sem personalidade, é apenas uma tendência. Da mesma forma que  nem todo africano é pobre e nem todo americano é rico, mas, via de regra um americano será mais rico que um africano.

Pessoas que ainda precisam evoluir nesse sentido seguem a célebre frase de Grouxo Marx:

Esses são os meus princípios. Se não lhes agrada, tenho outros. | Groucho Marx

Normalmente essas pessoas se juntam ao grupo mais popular ou a moda do momento independente de suas atitudes irem contra os seus princípios. E muitas vezes essas pessoas tem apenas o princípio de ser bem aceito pelo time. Caráter, na concepção de Oscar Wilde passa longe desse tipo de cidadão:

Chamamos de ética o conjunto de coisas que as pessoas fazem quando todos estão olhando. O conjunto de coisas que as pessoas fazem quando ninguém está olhando chamamos de caráter | Oscar Wilde

Os grandes profissionais sempre conseguem ser honestos e manter a lealdade aos seus valores em qualquer circunstância e sob quaisquer tentações.

 

9) Preferir a ignorancia ou a mentira do que uma verdade

Segundo Aldous Huxley, o famoso autor do livro As portas da percepção:

Os fatos não deixam de existir apenas por terem sido ignorados | Aldous Huxley

É frequente nos profissionais medianos tentar se eximir da verdade, passar feedbacks fantasiosamente maquiados ou dar uma de “João Sem Braço”. Esses dias Eduardo Giannetti disse a seguinte frase em uma entrevista à Mario Sérgio Conti da Globo News : “A realidade se impõe” sobre as mentiras faladas na campanha de 2014.

Sérgio Brito o presidente da Ambev disse em uma palestra que uma das empresas que eles compraram apresentavam bons resultados, mas, todos os gestores possuíam desempenho ótimo. Como uma empresa com bons resultados possui somente gestores ótimos? A verdade é que eles eram gestores bons, mas, ninguém tinha a coragem de falar a verdade para eles, e a discrepância continuava.

Quando o profissional usa do falseamento da verdade, ou simplesmente da excessiva douração de pílula, a conversa na empresa fica truncada e cedo ou tarde a realidade vai se impor. Quando isso acontecer, o tratamento que poderia ter sido levemente doloroso terá que ser extenuante, ou em alguns casos será a falência total da companhia, como no caso do Grupo X citado anteriormente.

Um profissional mais evoluído enfrenta a verdade, por mais sacrificante que seja, pois, tem consciência que o inverso vai cobrar um preço bem mais alto.

 

10) Ser complacente com os próprios erros

Sou bastante fã de biografias de pessoas de sucesso. E um padrão, dentre tantos, que se pode encontrar nas pessoas que vão ao topo, é a baixa tolerância ao erro. Uma pergunta que gostamos de fazer nas entrevistas é : “Como você se sente quando é pego em um erro”. Tremei se a resposta for algo do tipo: tranquila, calmo, sereno, procuro ver onde errei, isso é normal, etc. Na Palmetal buscamos respostas do tipo : fico muito chateado comigo mesmo, fico sem dormir, me sinto muito mal, etc.

Já tivemos uma funcionária assim. Trabalhava no setor financeiro (oh céus), e era capaz de dormir tranquilamente tanto se tivesse cometido um erro, como se tivesse cometido dez erros graves no mesmo dia. Para ela era indiferente, desde que o dinheiro não saísse do salário dela. Para nós ela foi uma ótima professora, pois, a partir de então a nossa complacência com pessoas complacentes com os próprios erros passou a ser zero.

Se você tiver algum exemplo para me dar, por favor, faça, pois, até hoje, nunca vi ninguém razoavelmente bem sucedido que seja negligente nesse setor. O sucesso tolera muitos tipos de defeitos, esse não.

 

11) Ser exageradamente indisciplinado

Era um daqueles shows históricos no Canecão, o lendário palco situado no nobre bairro de Botafogo, o ano era 1986. Produção de primeira, artistas estelares, casa cheia, tudo perfeito. Nada poderia dar errado, pois, os artistas haviam ensaiado a semana toda e o espetáculo estava mais perfeito que um Stradivarius. Um dos grandes artistas estelares era o badaladíssimo Caetano Veloso, o outro era o não menos badalado Chico Buarque. O detalhe estava no terceiro mega blaster manjubinha plus artista estelar… Ele se chamava Sebastião Rodrigues Maia, e quando você se chama Sebastião Rodrigues Maia, faltar a um show histórico é parte da sua rotina.

Como já é sabido de todos, Tim Maia mais uma vez faltou e que se exploda público, Chico e Caetano. Caetano foi até bastante elegante no seus comentários dizendo que aquele era o charme do Tim e que isso não afetava em nada a carreira dele. O fato é que afetou sim, e apesar do absurdo talento que Tim possuia ele passou por uma fase de decadência severa pouco antes de morrer. Tinha dezenas de processos na justiça e teve muitos bens penhorados. Certamente metade disso se deveu a sua falta de disciplina. Durante muitos anos Tim reclamou que estava na geladeira da Globo e queria poder voltar a cantar lá. Durante uma entrevista a saudosa Hebe Camargo, onde Tim criticava a Globo por seu período de hibernação forçada, a apresentadora perguntou : “Mas você faltou ao show na Globo?” onde Tim respondeu em seu melhor estilo: “Faltou não. Eu não fui.”

Da mesma forma que Tim Maia, podemos elencar trocentos jogadores de futebol ou pessoas menos famosas que tinham tudo para crescer mas a inconsistência devastou suas carreiras e levou junto aqueles que não souberam se livrar em tempo do descompromissado. Ou você acha que a Globo iria ficar anunciando Tim Maia indefinidamente para ele aparecer quando ele quisesse?

Mais vale um mediano confiável do que um gênio completamente desregrado. Na batalha da década de 90 entre AMD x Intel a Intel levou a melhor, apesar de admitir que o chip da concorrência era mais bacana. E como que a empresa com o produto inferior levou a melhor? A questão é que o lema interno da Intel era : Intel Delivers. A Intel era consistente em suas entregas, enquanto a AMD era errática. Ganhou o mais confiável.

 

12) Ter uma arrogância em excesso

O cenário era a Microsoft pós Windows e pre Google e Apple. Era a empresa das galáxias. Bill Gates disparado o homem mais rico do mundo e a empresa nadava de braçadas em um cenário onde nada nem de perto a ameaçava. Não existia redes sociais, smart phones, tablets, etc. Quem quisesse usar um computador tinha que ser através dos poderes da Microsoft e seu onipresente Windows. O Linux era, e ainda é bastante incipiente, para uso pessoal.

Em um momento de vitória completa Bill Gates lança uma carta a sua equipe. Que tipo de carta seria essa? Somos os melhores, devastamos a concorrência, vamos assumir a casa branca, vamos achar a cura do câncer? Nada disso, a carta falava de todas as catástrofes que poderiam acontecer a Microsoft e como eles deveriam ficar atentos e humildes perante o futuro. A carta de certa forma se mostrou profética, pois, não muito tempo depois a empresa deixou o posto de solista da orquestra, para ser mais uma violinista do coral.

Como última característica encontrada nos medíocres está a crença de que “coisas ruins” só acontecem com os outros, que a reza dele é mais forte, que sua macumbeira é melhor, ou a sua inteligência é mais aguçada, e por ai vai. Nada disso é verdade, como diz o ditado:

A arrogância precede a queda

O grande profissional está sempre humildemente alerta. Ele tem um receio saudável do futuro, procura se certificar se fez tudo certo. Se mantém informado. Admira os outros grandes profissionais. Sabe ouvir na medida certa. Sabe distribuir créditos a quem merece.

Profissionais brilhantes nunca pensam em termos de Eu, e sim em termos de Nós. E isso de forma alguma é demagogia, é que no seu íntimo ele realmente acredita que tudo o que ele faz está atrelado a uma equipe.

 

Conclusão

A evolução como ser humano é uma caminhada que talvez nunca vamos conseguir terminar. Todos nós somos mais ou menos evoluídos em alguns desses quesitos. Com esse texto nós esperamos apenas lhe conscientizar de detalhes que podem passar despercebido. Se você vai querer contratar medíocres ou vai passar a procurar pessoas mais evoluídas cabe ao seu momento e a sua estratégia de negócios. Inexiste resposta certa nesse assunto, cada caso é um caso.

 

 

 

 

 

 

Alexandre do Nascimento
[email protected]

Palmetal é a empresa fabricante dos móveis em aço inoxidável Alezzia. A empresa foi fundada em 1990 e é a primeira a vender esse tipo de produto diretamente ao consumidor.

6 Comentários
  • SERGIO CRUZ
    Postado em 08:13h, 25 outubro

    exelente…, obrigado pela contribuição..

    Sergio Cruz – Gerente Comercial
    LIMPAC – DISTRIBUIDORA – NITEROI – RJ

  • Gleiziane Martins
    Postado em 10:51h, 25 fevereiro

    Excelente texto!

  • Claudia Ribeiro
    Postado em 11:41h, 25 fevereiro

    Excelente!!! Super coerente. Parabéns!

  • Lucas Hegedus
    Postado em 16:58h, 25 fevereiro

    Gostei do artigo, das análises e até a questão das referências citadas… Concordo com o que foi apresentado, os argumentos…
    Mas falando em feedback’s, aqui vai um…
    Tem muitos pequenos erros de gramática e concordância verbal… Revisem melhor as publicações.

    Abraço, parabéns pelas postagens.

  • Vitor Casoto
    Postado em 17:32h, 25 fevereiro

    Parabéns, texto excelente.

  • Marechal Hermes
    Postado em 22:16h, 08 outubro

    Aprende a escrever o português corretamente ai depois você pode reclamar dos seus funcionários.

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