Trabalhadores do McDonald em manifestação por aumento do salário mínimo

Aumento do salário mínimo reduz ganho dos trabalhadores de Seattle em 6,6%

O aumento do salário mínimo é sempre um tema que disperta fortes emoções, e Seattle, uma cidade de 700mil habitantes no USA que tem como seu mais famoso filho ninguém menos do que Bill Gates, foi palco de uma pesquisa sobre o tema. Além de palco de debate, a cidade é sede de grandes companhias como Amazon e Starbucks. Com tanto sucesso as consequências começam a aparecer. Uma delas foi o colossal boom imobiliário que colocou no dia de hoje mais de 67mil apartamentos em construção segundo Tom Cain da Apatments Insights, nas palavras dele o ano de 2018 será: ” a monster year for new construction.

Com tanto dinheiro assim rolando é quase inevitável que atitudes populistas sejam tomadas e entre elas está o aumento do salário mínimo. 

58% de aumento do salário mínimo

O USA não existe CLT como o Brasil, felizmente para eles, mas, há uma política de salário mínimo por hora que possui um piso nacional, mas, que pode ser elevado em cada cidade conforme suas preferências. E com essa liberdade a disposição os mandatários de Seattle resolveram que era preciso ter aumento do salário mínimo, e com isso ele passou de U$9,47 em 2015 para U$11 em 2016 e depois para U$13 em 2017 com a promessa de chegar a U$15 em breve.

O bom senso diz que o custo de um produto qualquer, seja ele ouro ou mão de obra, depende da quantidade de pessoas que desejam adquirir esse produto, ou seja, a velha lei da “Oferta e Procura”. Quanto mais empresas querendo contratar mais o salário sobe e assim vai. O mesmo bom senso diz que intervenções artificiais nesse sistema tendem a trazer perdas para todo o conjunto.

Redução de ganhos de U$125 pôr mês

Foi o que demonstrou um estudo publicado em Junho de 2017 pelo National Bureau of Economic Research que após uma série de analises matemáticas principalmente no setor de restaurante, que é onde atuam os trabalhadores com menor remuneração, concluiu que o aumento do salário mínimo, principalmente a segunda rodada, levou a um corte de aproximadamente 5.000 postos de trabalho e reduziu em 9% o número de horas trabalhadas.

Como no USA existe a flexibilidade de contratar profissionais por hora, para o trabalhador médio, o resultado é que foi demandado menos horas, gerando uma perda salarial de U$179 por mês, parcialmente compensada pelo aumento do salário mínimo, que gerou um ganho de U$54, resultando uma perda líquida de U$125 ao mês, o que o estudo considera um valor importante para um trabalhador de baixa renda.

E essa perda aconteceu mesmo com a cidade no meio de uma bolha imobiliária, onde até o fundador da Microsoft, Paul Allen, faz a sua fezinha através da sua encorporadora – Vulcan Real Estate, e uma ampla fatura de crédito através da política americana de juros quase zero. Como muitos economistas dizem que o alfinete está cada vez mais perto da bolha, o povo de Seattle deve estar próximo de sentir o que é ter um salário mínimo alto em um mercado recessivo.

O que disse o prefeito de SeattleFaixa azul com manifestantes em apoio a Ed Murray Seattle MayorFaixa azul com manifestantes em apoio a Ed Murray Seattle Mayor

Como todo bom político o prefeito emitiu uma nota dizendo haver preocupações com a metodologia usada pelo estudo da NBER, mas, ao mesmo tempo, abraçou efusivamente um outro estudo da University of California at Berkeley’s Institute for Research on Labor and Employment, que apontava que não houve redução do emprego. E nesse caso também não houve questionamento da metodologia. Segundo o Seattle Times a estratégia do prefeito é clara: Comemorar o estudo que concorda com a sua agenda e descartar os que discordam.

Alheio as criticas o prefeito frisa: “Quando aprovamos a o salário mínimo de $15 nós fomos avisados que a economia iria estancar, empregos secariam e empresas sairiam voando. Hoje, a economia de Seattle está mais forte do que nunca, o desemprego esta em seu mínimo histórico e empregadores estão competindo por empregados.

O prefeito ainda acrescenta que o desemprego caiu 2,6% nos últimos dois anos e os restaurantes estão entre as industrias que mais crescem na cidade com 33 mil empregados em 2016.

O interessante é que apesar das falas do prefeito a indústria de restaurante vem caindo no USA como mostra Restaurant Industry Snapshot. É aguardar para ver por quanto tempo a terra de Bill Gates vai viver em uma realidade paralela ao restante do país.

Alezzia
[email protected]

Indústria de móveis de aço inox com sede no Rio de Janeiro

1Comment
  • Ed RM
    Postado em 19:13h, 07 julho

    Coisa parecida parece ter ocorrido durante a crise de 2008 do mercado imobiliário do EUA. Políticos negavem a existência de uma bolha, até que ela estorou.

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