Pré-sal nosso erro estratégico e suas desvantagens.

Energia Solar Em um passado era comum encontrar um Geosauro e um Anhanguera o famoso pterosauro voador. Foi o feliz período do Cretáceo, onde a terra era absolutamente ecológica e toda a energia consumida provinha de fontes renováveis. Desse período nos restaram algumas coisas muito interessantes; dentre as quais podemos citar o celacanto nosso peixe múmia vivo, os fósseis que fazem a felicidade dos paleontólogos e o petróleo. Desses presentes acima o último é sem dúvida o maior presente de grego. E os gregos devem gostar do Brasil, pois, recebemos um presentaço deles; uma vasta área de extração que agora está na boca do povo com o nome de pré-sal. Enquanto muitos brasileiros já esfregam as mãos e freneticamente atritam o indicador no polegar pensando na gaita que vamos fazer jorrar dos confins do Oceano Atlântico, talvez seja importante analisar a coisa por um outro ângulo.

O Pré-Sal é totalmente poluidor

O oléo brasileiro é a nossa caixa de pandora negra. E nós estamos abrindo ela sem ter a noção de que todos os males do mundo estão lá. Vejamos os itens abaixo:

  1. O petróleo envolve seríssimos riscos ambientais, a qualquer momento uma gerinconça daquelas pode explodir e poluir uma vastidão de mar, praias, rios, etc. Arruinando incontáveis vidas marinhas e estragando a vida de quem vive do mar (Atualização:  Isso foi totalmente vidência, pois, escrevemos antes do acidente do golfo)
  2. Os combustíveis fósseis são um karma: gasolina e diesel já passaram em muito do tempo da aposentadoria.
  3. Os plásticos provevientes são o karma 2. Sem um programa de reciclagem vivemos uma época que tudo vai para o lixão. E nossos galantes recicladores tem que recorrer a importação de rejeitos por falta de matéria-prima (9). Parabéns àqueles que importaram o lixo e aos exportadores da Inglaterra, estão prestando um grande serviço ao Brasil, sem eles essas empresas de reciclagem teriam que fechar por falta de insumos. Quem deveria ser investigado e castigado são os nossos dirigentes que permitiram essa situação rídicula acontecer.
  4. Toda a operação da coisa é insustentável, muita energia gasta para lá e para cá, muito equipamento importado, muitos riscos as pessoas envolvidas. Trabalhar com energia eólica, biomassa, solar ou das marés é algo bem mais tranquilo.
  5. Vamos investir bilhões em uma tecnologia do século XX recauchutada. Seremos iguais àquelas empresas que tentaram aprimorar a lâmpada a gás para  concorrer com a lâmpada elétrica de  Thomas Edison. O que é mais orgulhoso para nós? Ser o último dinossauro extinto ou o primeiro mamífero a povoar a terra?

O petroleo não vai jorrar de graça

Para nós da tupinicópolis vermos a cor desse petróleo jorrando em nível industrial, vamos precisar colocar uma soma de recursos estratosférica, afinal, é uma parafernália extremamente cara e complexa para executar essa atividade. Segundo o jornal Valor, algo em torno de U$110 bilhões de dólares.(1)

Alternativas verdes para esse valor :

  1. 36.500 turbinas eólicas da GE de 1,5MW (10) por U$3milhões de dólares cada, gerando um total de 55GW de eletricidade sem alagar nem um penico sequer.(2)
  2. Se nossos dirigentes acharem que é melhor criar mais lagos, poderíamos comprar 12 usinas hidroelétricas iguais a de Santo Antônio e gerar uns 38GW de capacidade elétrica.(3)
  3. Poderiamos comprar a própria Siemens que custa U$82bilhoes e ainda sobraria um troco para levar a Enercon que é outra potência no setor de energia eólica.(4)
  4. At last but not least podiamos comprar cincoenta plantas da Acciona, as da foto acima, incluindo transferência de tecnologia para geramos eletricidade apartir do sol+água. Cada planta com a capacidade de 500MW perfazendo um total de 25GW, sem desalojar um só miquinho de nossas florestas, uma vez que essas plantas são construidas em áreas desérticas. (11)

E quanto às matérias-primas?

E se os céticos falarem: “Mas isso não serve porque não queremos somente energia, queremos matérias primas para a nossa indústria química.” Excelente! Nesse caso podemos pegar esse dinheiro e alavancar de uma vez por todas a nossa alcoolquímica que até a chegada do plástico verde da Braskem (5) só servia para fazer a movimentação dos nossos carros flexs e  deixar uma galera encachaçada. Tudo isso é muito bacana, mas, podemos fazer muito mais com o etanol. Lembro que um professor da Escola de Química da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) um dia nos perguntou o seguinte:  “Se vocês tivessem que levar um único composto para uma ilha deserta, qual composto vocês levariam?” E a resposta é o etanol, pois, apartir do etanol se faz praticamente tudo na química orgânica.

Além do etanol temos outras possibilidades boas como o uso do nosso gás natural que é queimado diariamente. Podemos usar ele para fazer o etileno e dai o polietileno (6). Podemos ainda ressussitar o combalido xisto e torná-lo menos poluente (7), apesar de ele estar um pouco fora de moda, as reservas deste mineral no Brasil estão praticamente intocadas.

Como disse Delfin Neto, o Pré – Sal é uma agenda do século 20, e nós estamos no século 21.(8)

Nossa sugestão para o pré-sal

O melhor dos mundos seria fazer extrações limitadas, mais com o intuito de desenvolver a tecnologia e percorrer a curva de aprendizado, deixando a real exploração da caixa de pandora por conta dos nossos netos, que serão pessoas bem mais capacitadas do que nós para tomar essa decisão. Fazendo isso hoje, devido a nossa falta de tecnologia e mentalidade, podemos estar cometendo um erro irreparável para o nosso planeta.

E com a mega montanha de dinheiro que seria investido nessa aventura, nós nos tornariamos a potência inconteste da energia renovável.

Leia agora o texto sobre o derramamento no Golfo do México e deixe uma opinião! Estou triste! Ninguem nunca me deu uma opinião sobre esse texto, ou me chamou para uma entrevista em um periódico qualquer! Deu trabalho escrever isso, sabia?

Referências

  1. Valor Economico – http://www.valoronline.com.br/?impresso/politica/99/5794954/1/presal-exige-petrobras-gigante
  2. Preço de Turbinas – http://www.metaefficient.com/renewable-power/worlds-largest-wind-turbine-order-2-billion.html
  3. Preço das Usinas hidroelétricas do Rio Madeira – http://pt.wikipedia.org/wiki/Usina_Hidrel%C3%A9trica_Santo_Ant%C3%B4nio
  4. Valores da Enercon – http://www.zoominfo.com/Search/CompanyDetail.aspx?CompanyID=17367463&cs=QFBCQGnh0&IndustryBin=ENERGY&Product=turbine&page=1&companyDesc=turbine
  5. Plástico Verde Braskem – http://www.braskem.com.br/site/portal_braskem/pt/conheca_braskem/desenvolvimento/plastico_verde/pesquisa_e_desenvolvimento.aspx
  6. Etileno – http://en.wikipedia.org/wiki/Ethylene
  7. Xisto – http://en.wikipedia.org/wiki/Oil_shale
  8. Entrevista do Delfin Neto – http://www.eagora.org.br/arquivo/pre-sal-e-a-agenda-do-seculo-20-nao-do-21/
  9. Importação de lixo para o Brasil – http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2009/07/23/minc-vai-investigar-importacao-ilegal-de-lixo-para-brasil-756948232.asp
  10. Preço de mercado da Siemens – http://quotes.stocknod.com/stocknod/?Page=QUOTE&Ticker=SI
  11. Projeto Acciona de energia solar: http://www.rechargenews.com/energy/solar/article196022.ece

 

Alexandre do Nascimento
[email protected]

Palmetal é a empresa fabricante dos móveis em aço inoxidável Alezzia. A empresa foi fundada em 1990 e é a primeira a vender esse tipo de produto diretamente ao consumidor.

1 Comment
  • Gabriel
    Posted at 23:13h, 13 setembro

    Concerteza tudo faz sentido, muito boas suas alternativas “verdes”.
    Estou fazendo um trabalho para uma feira de ciências na minha escola e fico muito feliz de ver pessoas que fazem um bom trabalho como este.
    Keep working !

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